MALANDROS Peça de teatro de Iram Custodio Magalhães - Escrita em 22/02/2000 Comédia musical *Musica em off: Interpretação instrumental da musica “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso. ]Prólogo: Ao abrir a cortina três atrizes bailarinas interpretam a musica “ Ragatanga” (duo com Las Ketchups) gravada pelo grupo Rouge. Durante a interpretação entra pela entrada do publico o personagem “Malandro” que cumprimenta o publico em uma paquera sem compromissos. Quadro 1 : Malandro apresenta o espetáculo: Boa noite senhoras e senhores, eu gostaria de lhes apresentar esse espetáculo onde a musica nos transporta em um sonho. O brasil com suas danças, culturas, folclores é um mundo infinito de beleza. No Rio de Janeiro, existiu e existe um personagem carismático, sensual, vivo e audacioso, chamado de Malandro. Ouviu-se falar também de uma certa luta conhecida com o nome de capoeira. Dança guerreira da época da colonização, ela se transformou em uma arte marcial para alguns, combate acrobático para outros e em uma cultura para muitos. Todos conhecem o “Samba”, este ritmo contagiante que marcou gerações. E a Bahia, quem nunca ouviu falar no seu swing, nos seus ritmos, seus poetas e suas historias de amor. Nos gastaríamos de dividir com vocês tudo isso. Para isso, vamos apresentar-lhes quadros desse universo mágico e magnífico, que ilustra a nossa cultura Brasileira. B.O. Quadro 2 : “CABARÉ” Quando acende a luz podemos ver uma espesse de boteco, duas mesas, alguns (3) malandros que jogam um jogo de cartas, algumas (3) prostitutas estão em cena, as prostitutas começa a paquerar os jogadores que sentados continuam a jogar. Entra Malandro com seu andar gingado, vestido de uma calça branca, sapatos brancos, camisa listrada vermelha e branca e chapéu Panamá, ele traz na mão um pandeiro e canta “Ginga malandro” de Iram Custodio Magalhães. Malandro: Malandro tem ginga, ele tem molejo, Gosta de carta, bebida e um jogo maneiro, Gosta de samba e de cantar, Amar as mulheres o prazer da sua vida Sabe seduzir, sabe conquistar Vestido de branco, pandeiro na mão Ele canta seus amores Os amores do seu coração Tem fama de ser um durão Sonha e brinca com teu coração A espera de um amor, uma grande paixão Que mecha, a vida deste folião Joga o jogo que a vida é bela Ela é feita de perigo e emoção oh incerteza querida Te espero com tamanha emoção Minha vida é cheia de mandinga E luta, é vitoria, é paixão Se te encontro, te reconheço Vejo um grande clarão, é amor Lai lá lai, lai lá lai Quadro 3 : As instituições, grupo de capoeiristas, que viveram no século XVIII controlavam bairros inteiros no centro do Rio de Janeiro. Quase sempre as pessoas estrangeiras que passavam por ali era agredidas. Quando se tratava de um outro grupo de capoeiristas, havia desafios, desacatos e violentas brigas, muitas das vezes com mortos. A instituição da “Santa Luzia” se chamava os “Guaiamuns, eles podiam ser reconhecidos pelo jeito de se vestir, terno branco, sapatos brancos, gravata vermelha e chapéu Panamá com fita vermelha. Eles eram muito respeitados. O outro grupo, que quase sempre os desafiavam era os “Nagoas” que controlavam o bairro da “Cinelândia”, eles se vestiam com ternos pretos com finos traços amarelos, sapatos de verniz preto, gravatas de cetim azul claro e chapéu de feltro com uma fita azul clara. Eles eram reconhecidos graças aos seus trajes. Em um canto iluminado da cena, podemos ler uma placa escrita “Santa Luzia “ e do outro lado uma placa escrita “Cinelândia”, um Nagoa começa a cantar: “Desafio de Malandro” de Iram Custodio Magalhães, coreografia de movimentos de capoeira. Nagoa: Mesmo com toda fama Mesmo com toda ginga Aqui nesta praça Não tem Guaiamu que dança Nos somos os nagoas Temos fibra temos raça Aqui neste pedaço Quem não respeita nos desse o braço Guaiamus: Teresinha de Jesus Abre a porta apaga a luz Quero ver morrer nagoa A porta do bom Jesus ! Nagoas: O castelo içou bandeira São Francisco repicou Guaiamu esta reclamando Manuel preto já chegou ! Guaiamus: Sai de baixo assanhaço Que o pau já vai comer Quem é homem não acovarda Si é mulher é melhor correr *Coreografia de briga, os dois grupos se afrontam, todos os outros Malandros saem fica os dois lideres de cada grupo de malandros, entra um militar vestido de general, (a imagem congela por alguns instantes – som de suspense, entra a filha do general e sucessivamente entram um tenente e dois soldados. General: Prendam ! ( os dois malandros saem correndo, perseguido pêlos soldados) Quadra 4 : General: Esta cidade é maravilhosa, eu gosto, olhe como é linda esta Bahia, magnífica essas montanhas, este verde, que praias. Este mar azul é deslumbrante. (ele interpreta “O SOLE MIO!” de G. Capurro) General: Che bella cosa Na iurnata ‘e sole N’aria serena doppo ‘na tempesta! Pe’ ll’aria fresca paregià ‘na festa... Che bella cosa ‘naiurnata ‘e sole, Ma n’a tu sole Cchiù bello, hoine, ‘O sole mio sta nfronte a te! ‘O sole’ o sole mio Sta nfronte a te! Sta nfronte a te! Quando fa notte E o sole se ne scenne Mme vene quasi nna malinconia Sotto la finestra toia restera Quanno fa notte e o sole se ne scenne. Ma n’a tu sole... Carolina filha do general, Tenente e soldado: Bravo! bravo general Teodoro !General: Aqui tenente nos vamos construir nosso quartel general, ali uma capela, e nos poderemos mesmo fazer deste lado algumas lojas de conveniências. Tenente: Sim, claro Sr. General Teodoro, assim poderemos ter uma grande vista de toda a cidade. General: Olhe esta natureza, é sem duvidas um trabalho do Sr. o bom deus, estas árvores, essa vegetação este céu, parece mesmo um paraíso. Quadra 5 : LARGO DA CARIOCA, um camelo vende objetos, duas mulheres tocam pandeiro e fazem o desafio “repente”, um pastor proclama sua igreja, um ladrão bate a carteira de um cidadão. Carolina (a filha do general): Papai, eu gostaria de dar uma volta, descobrir um pouco esta cidade, este perfume, o senhor esta sentindo? General: Não! você deve fazer muita atenção, existe muitos malandros por aqui, infelizmente, o centro do Rio de Janeiro esta infestado de bandos rivais, foras da lei, e que fazem o que querem. Você não esta em segurança, antes que eu termine a limpeza. Carolina: Eu sei papai, mais eu não sou mais uma criança, eu sei muito bem me defender. O senhor sabe que eu pratiquei e aprendi o “Judô” com o mestre Mamuri. Hiar! (o soldado é jogado no chão em um golpe de Carolina) General (sorri): Eu sei, você é muito forte, é claro é minha filha. Soldado! você será responsável do salvo conduta de minha filha, você devera lá proteger, não lhe deixe sozinha e nem ir a lugares indevidos, você entendeu? Saldado: Sim general Teodoro! Não haverá nenhum problema. (Carolina e soldado saem) Tenente: General Teodoro, nos recebemos agora mesmo uma chamada urgente, um grupo de capoeirista esta acabando com o comício político do partido socialista lá na praça Tiradentes. O caso é muito grave, parece ate que já tem alguns mortos. General: Reagrupar os homens! rápido, de o alerta geral, temos que acabar com isso rapidamente. Para cada capoeirista capturado, seis meses de prisão e cem lambadas de bambu verde nas costas, se for chefe o dobro. Vamos. ( o general, o tenente e o soldado saem por um lado. Pelo outro lado entra uma mulher com uma lata d' água na cabeça que canta “Lata d'água”, duas dançarinas dançam. Algum tempo depois entra Carolina e o soldado que ficam em um canto assistindo Maria e as atrizes bailarinas catarem e dançarem.) Quadro 6 : Entra ‘Maria’ com uma lata d’água na cabeça. Maria e as duas atrizes bailarinas cantam “Lata d'água”. Lata d'água na cabeça, La vai Maria, lá vai Maria Sobe o morro, não se cansa Pela mão leva a criança... La vai Maria! Maria lava a roupa lá no auto Lutando pelo pão de cada dia Sonhando com a vida do asfalto Que acaba onde o morro principia! * As três estão vestidas com uma saia e uma blusa, elas dançam e cantam, entram três percussionistas vestidos com camisas listradas preto e branco, eles tocam padeiro, surdo e tamborim, eles fazem a festa. Maria a lavadeira canta o “O samba” de Miguel Santos, Luiz Iglêsias e H. Vogeler. Enquanto isso todos dançam. Maria: O samba no morro é a alma dessa gente Passa vida de cachorro Mais sambando esta contente Coro : O samba no morro é a alma dessa gente Passa vida de cachorro Mais sambando esta contente Eu nasci de madrugada Pra pagar magoas e penas Eu nasci da batucada Das chinelas das morenas Não ha quem o samba olvide Quando a roda o samba arroxa Pois num samba se decide O destino da cabrocha O soldado que acompanha Carolina começa a dançar com as dançarinas, “Malandro” entra e canta “ISSO AQUI” de Ary Barroso. Malandro: Isto aqui ôô, é um pouquinho de brasil ai ai Desse brasil que canta e é feliz, feliz, feliz E também um pouco de uma raça, Que não tem medo de fumaça ai ai E não se entrega não, (2 X) Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar Olha só o remelexo que ela sabe dar (2 X) Morena boa que me faz penar, Bota a sandália de prata E vem pro samba sambar (2 X) ( todos 2 X) Carolina empolgada com a festa canta “Cidade Maravilhosa” Carolina: Cidade maravilhosa Gosto de você Gosto de quem gosta FALTA METADE DA MUSICA * Durante a interpretação de Carolina, Malandro não consegue tirar os olhos de Carolina, ele então canta "Fascinação” de Elis Regina, todos ficam parados, imóveis escutando Malandro cantar. Malandro: Os sonhos mais lindos, sonhei De quimeras mil um castelo ergui E no teu olhar, tonto de emoção Com sofreguidão mil venturas eu vivi O teu corpo é luz, sedução Poema divino, cheio de esplendor Teu sorriso pendi, inebria, entontece Es fascinação amor *Malandro posicionado em uma extremidade do palco fica olhando fixamente Carolina que se encontra na outra extremidade. Paulo o soldado que acompanha Carolina canta “Lindo balão azul” de Guilherme Arantes, todos dançam uma coreografia . Malandro e Carolina ficam parados se olhando. Paulo: Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou um cientista O meu papo é futurista, é lunático Eu vivo sempre no mundo da lua Tenho alma de artista Sou um gênio sonhador e românico Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou aventureiro Desde o meu primeiro passo pró o infinito Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou inteligente Si você quer vir com a gente Venha que será um barato Pegar carona nessa calda de cometa Ver a via láctea, estrada tão bonita Brincar de esconde-esconde numa nebulosa Voltar pra casa Nosso lindo balão azul Quadro 7 : Quando o soldado acaba de cantar todos saem, ficando em cena Malandro e Carolina, eles começam a se aproximar, se olhando dentro dos olhos, a luz muda, Malandro pega nas mãos de Carolina e canta “Onde estas felicidade” de Luiz Iglêsias e dança uma valsa. Malandro : Onde estas felicidade ? Que te busco sempre em balde No sossego do arrabalde No tumulto da cidade Vem matar esta ansiedade Que sem ti finda jamais Felicidade, onde estas ? Onde estas felicidade ? * O coro canta “Onde estas felicidade” enquanto Malandro valsa com Carolina. Carolina: Eu tenho que ir embora, me desculpa. Malandro e Carolina cantão “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos. Malandro canta: Eu tenho tanto para lhe falar, Mas com palavras não sei dizer Como é grande o meu amor por você, E não ha nada pra comparar Para poder lhe explicar, Como é grande o meu amor por você Carolina canta: Nem mesmo o céu, Nem as estrelas Nem mesmo o mar e o infinito Não é maior que meu amor Nem mais bonito Malandro canta: Me desespero a procurar Alguma forma de lhe falar, Como é grande o meu amor por você. Carolina canta: Nunca se esqueça, nem um segundo, Que eu tenho o amor maior do mundo Malandro e Carolina: Como é grande o meu amor por você. *Malandro beija Carolina, ela não reage, logo ela olha seu relógio e se desespera. Carolina: Nossa já é essa hora, Paulo, Paulo vamos embora, já é muito tarde. Ate logo, eu tenho que ir embora. Malandro: Espere, por favor, não vá, eu ainda tenho muito para te dizer. Paulo soldado: Espere um minuto! Eu já estou indo. *Manduca lhe da um outro beijo, ela se deixa levar. Ela é surpresa mais contente. Carolina: Eu não posso ficar, meu pai vai ficar uma fera, eu devo ir embora. Já deveria esta em casa a esta hora, eu nem vi a hora passar, o tempo passou assim tão rápido. Malandro: Não! fique mais um pouquinho, eu não posso viver sem você, agora que te conheci, os meus dias de sol serão dias de inverno e de tempestade, longe de você. Tudo será gelo e frio sem o calor do teu corpo, vai ser horrível, eu não poderei suporta. Carolina: Eu sinto muito eu até gostaria de ficar, mais eu não posso. ( ela começa a ir embora, Malandro canta “Triste” de Tom Jobim) TRISTE Triste é viver na solidão, no amor cruel de uma paixão *Carolina que já estava saindo se volta e canta “De tanto amor” de Roberto Carlos, com Malandro. Carolina: Ah! eu vim aqui amor, só pra me despedir E as ultimas palavras deste nosso amor, Você vai ter que ouvir, me pedir de tanto amor. Malandro: Ah! eu enlouqueci, Ninguém podia amar assim e eu amei E devo confessar, ai foi que eu errei Carolina: Vou te olhar mais uma vez, Na hora de dizer adeus, Vou chorar mais uma vez, Quando olhar nos olhos teus Carolina e Malandro: Nos olhos teus. Malandro: Ah! saudade vai chegar e por favor meu bem Me deixe pelo menos só te ver passar Eu nada vou dizer perdoa se eu chorar. *Carolina se afasta um pouco indecisa, começa a ir embora. *Malandro canta "CARINHOSO" de João Barro e Pixinguinha Manduca: Meu coração Não sei porque, Bate feliz quando te vê E os meus olhos ficam sorrindo E pelas ruas vão te seguindo Mais mesmo assim Foges de mim Ah! se tu soubesses Como eu sou tão carinhoso E muito e muito que te quero E como é sincero o meu amor Eu sei que nunca fugirias mais de mim Vem, vem, vem, vem, Vem sentir o calor dos lábios meus A procura dos teus Vem matar esta paixão Que me devora o coração E só assim, então, serei feliz, bem feliz. *Carolina canta " Trem das onze" de Adoniran BARBOZA Carolina: Não posso ficar nem mais um minuto com você Sinto muito amor mais não pode ser Moro em jaçanã Se eu perde esse trem Que sai agora as onze horas Só amanha de manha Além disso meu amor tem outras coisas Minha mãe não dor enquanto eu não chegar Sou filha única tenho minha casa pra olhar Eu não posso ficar ( 2 vezes ) lalalailai, faz carinho dundun Faz carinho dundun, faz carinho dundun Malandro: Nos podemos nos ver? Carolina: Eu não sei dizer. Malandro: Diga sim, por favor. Quadro 8 : *Os dois vão para um canto do palco, luz baixa, desce no fundo do palco uma lençol transparente. Então vemos as bailarinas dançando em sombra chinesa, transformando-se em sereias. *Músicos cantam “Uma noite” de Renato Rocketh Uma noite e meia, virando sereia Uma noite e meia, virando sereia Vem chegando o verão Um calor no coração Essa magia colorida São coisas da vida Não demora muito agora Todas de bundinha de fora Topless na areia, virando sereia Essa noite eu quero te ver Toda se ardendo só pra mim (quero sim, quero sim, quero sim) Essa noite eu quero te ver Te envolver, te seduzir Dia inteiro de prazer Tudo que quiser eu vou lhe dar O mundo inteiro a seus pés So pra poder te amar Roubo as estrelas lá do céu Numa noite e meia desse sabor Pego a lua, aposto no mar Como eu vou te ganhar Carolina: Ok! onde? Malandro: Você conhece a praça quinze? em frente as barcas que partem para a ilha de Paquetá, amanhã as seis horas quando o sol se por, eu estarei lá. Carolina canta “Quando você me beija” de Leandro Lehart -Arte popular. Carolina: Um beijo durante aquele amor E o meu coração estava lá Na verdade esse passado Nunca vai me libertar Muita gente não se envolve So por medo de sofrer Mas no caso, desse acaso So quem vive pra entender Entende o que é o amor Eu não sei te explicar Quando você me beija Quando você me beija quando... A noite a nossa estrela faz você brilhar Em todas as avenidas vou te encontrar Como a historia de um pobre e a princesa Mas eu quero que seja Eu quero que seja Nosso sonhos de amor Nosso gesto de amor Que me balança e me desperta Sempre, sempre mais Quando você me beija Quando você me beija Quando você me beija Quando você me beija Carolina: Eu vou tentar ir, esta bem. Malandro: Eu te esperarei. *Carolina part. B.O. Quadro 9 : * Cenário único, uma parede, vemos uma janela aberta, na janela um velho homem fuma seu cachimbo, e observa a rua. Do outro lado da cena , ajoelhado enfrente a uma cruz, Malandro canta “Negro” musica de Iram Custodio Magalhães, e ele se lembra como ele aprendeu a capoeira.( efeito de luz e fumaça) dois capoeiristas jogam com muita destreza. Malandro : Negro, negro Negro, negro O negro ainda sofre, do chicote do senhor Arrebentou as correntes Mais a dor nunca passou, não senhor Negro, negro, negro, negro Foi nos pés do berimbau, Que minha mão ele apertou Com seus olhos molhados, Me mostrou muita dor, quanta dor Negro, negro, negro, negro Respeite a raça negra, Ela tem muito valor Ela é rica de cultura, O negro é um lutador, sim senhor Negro, negro, negro, negro E ao som do berimbau, capoeira me ensinou Jogue em baixo mandingando, Pro cabra ver o seu valor, seu doutor Negro, negro, negro, negro Jogue encima regional, Entre sai mostre o que treinou, Quebre a ginga com mandinga, Foi meu mestre quem falou, sim senhor Negro, negro, negro, negro B.O. Quadro 10 : A- Um garoto passa perto da janela, ele brinca, quando chega um outro garoto maior que ele e começa a lhe bater ele sai chorando. B- Passa uma mulher vestida de Baiana, com um tabuleiro cheio de bolinhos e salgadinhos, (mungunzá, caruru, vatapá, acarajé, pamonha, cuscuz, bolo) ela oferece seus salgados e doces e canta a musica “O tabuleiro da baiana” de Ary Barroso. Baiana : No tabuleiro da baiana tem, vatapá oi, caruru Mungunzá tem umbu pra io io, Velho mestre: Se eu pedir você me da, o seu coração Seu amor de ia ia. Baiana: No coração da baiana também tem, Sedução, canjerê, ilusão, candomblé Pra vacê, Velho mestre: Juro por deus, pelo senhor do Bonfim Quero você baianinha inteirinha pra mim, Baiana: E depois o que será de nos dois, Seu amor é tão fugaz e enganado Velho mestre: Tudo já fiz fui ate no canjerê, Pra ser feliz meus trapinhos juntar com você, Baiana: E depois vai ser mais uma ilusão No amor quem governa é o coração para papa, para papa, para papa Quadro 11 : C- O pequeno garoto cruza a cena desconfiado, a baiana vai embora, entra o outro garoto maior que começa a lhe bater outra vez, ele vai parar estirado no chão, e o grande garoto vai embora. O velho mestre canta “O lala, O lele”, musica de capoeira. O pequeno garoto vai se chegando e o velho começa a lhe ensinar alguns movimentos para se defender. O La la, o le le meu avô me chamava vem cá meu filhinho aprender capoeira pra se defender ( 2 vezes) Meu avô negro de angola Sentado na sua esteira, contava pra criançada estórias da capoeira Foi brinquedo de criança, veio lá da sua terra Em defesa do seu povo já virou arma de guerra O la la, o le le meu avo me chamava, vem cá meu filhinho aprender capoeira pra se defender Ele me falou também Que em busca de liberdade Os negros se refugiavam Nos quilombos dos palmares Quando eles defrontavam O opressor que lhe seguia Era perna que voava , era gente que caia. D- O velho mestre: Esse garoto é mais forte que você, mais rápido e muito mais malandro, o tempo que tu ficas a soltar pipa, jogando bola e sem fazer nada em casa, você vem pra ca, pra minha casa que eu vou te aprender a capoeira. Como é que você se chama? Garoto: Vicente, o que é a capoeira? Velho mestre: A capoeira é o espirito vivo, da arte de se defender brincando, dança guerreira do tempo da escravidão. Eu conheço um pouco e eu vou te ensinar. Vicente- Qual é seu nome? Velho- Todos me chamam de Africano. ( O velho mestre começa a ensinar as esquivas, os ataques e as movimentações) Vicente - E assim? Velho- Isso mesmo, continue, muito bom. * Ele faz algumas seqüenciais e vai embora. Quadro 12 : * Malandro vem cruzando o palco, ele encontra três policiais que tentam lhe aborda, Malandro tenta ir embora, mais não consegue. Policial 1: Documento! *Malandro tenta fugir mais já esta serrano. Policial 2: Calma, nos queremos só saber quem é você, meu camarada. Policial 3: Ha! este ai o tal que todos falam por aqui, você é o Malandro, procurado por vários delitos. Policial 1: Agora você vai conhecer a boa vida, lá no cilindro, ha,ha,ha,ha,ha,ha (risos) *Malandro da um salto e começa a gingar. Policial 4: Você tá querendo dançar minha flor, você vai dançar é na cadeia. *A briga começa, coreografia, Malandro derruba todos e foge. Quadro 13: *Vicente cruza a cena, uma senhora aparece e chama seu filho Honorato o garoto brigão. Senhora: Olha lá meu filho, seu amigo, ele tá indo lá. Honorato- Olha só mãe, eu vou bater nele. Senhora: Faz atenção a suas unhas, e vê se não demora, o padre esta nos esperando lá na igreja. Honorato- Olhe só. Honorato- Oi, como vai? onde você tá indo? Vicente- Não é da sua conta! Honorato- Que isso rapaz, tá ficando maluco, de falar assim com o seu patrão? Vicente- Sai fora! Honorato- Calma meu bichinho, eu que só quero o teu dinheiro. Passa pra ca. *Vicente lhe empurra e começa a gingar. Honorato- Você aprendeu uma nova dança é? ha é muito bonito, mais eu estou com pressa, e não estou pra brincadeira, me da logo esse dinheiro. *Ele nem terminou de falar, que um rabo de arraia, golpe de ataque de capoeira lhe jogava longe. Honorato- Ha! você quer brigar, então vamos. eu vou acabar contigo. *Ele se joga sobre Vicente que se esquiva e lhe faz cair. Senhora: Acaba logo com ele Honorato, vamos embora ! *Coreografia Vicente e Honorato, Vicente o faz cair varias vezes e por fim lhe da um pontapé fatal. Honorato cai imóvel. B.O. Quadro 14: *Quando a luz volta Malandro esta na cena, vestido com um terno branco, ele anda de um lado para o outro, impaciente esperando Carolina. Escutamos o apito das barcas. Carolina entra, Manduca lhe vê, e se aproxima lentamente. Manduca e Carolina cantam “Inverno” de Tim Maia Manduca: Quando o inverno chegar Eu quero estar junto a tu Carolina: Quando outono chegar Eu quero estar junto a tu Manduca e coro: Ah! é primavera Manduca: Te amo! Carolina e coro: Ah! é primavera Carolina: Te amo! Manduca: Meu amor Trago essa rosa Coro: Para lhe dar Carolina: Trago essa rosa Coro: Para lhe dar Manduca e Carolina: Meu amor Hoje o céu esta tão lindo Coro: Vai chove Manduca e Carolina: Hoje o céu esta tão lindo Coro: Vai chove Carolina: Meu amor! Manduca: Eu te amo. * Os dois se deitado no chão, aparece um soldado em um dos cantos, ele observa um pouco e sai. Manduca e Carolina deitados no chão fazem uma cena de amor com sombras. Quadro 15: *Flexe: Em dos cantos da cena quatro dançarino dançam o Maculelê com facões, ao som do atabaque. Ao terminar coreografia eles saem. Do outro lado entram dois capoeiristas fazem o jogo “apanha laranja no chão”. (este jogo é bem lento quase parando, onde os jogadores tentam pegar o dinheiro que esta no chão com a boca) – efeito de fumaça, os capoeiristas saem. Entra o General com três soldados armador, eles prendem Malandro que esta deitado ao lado de Carolina. Eles saem carregando Malandro prisioneiro. *Carolina que permanece em cena, canta” Tristeza” Carolina: Tristeza não tem fim Felicidade sim A felicidade é como um rio Quadro 16 : *Malandro vestido de um calçolão esta preso no “Pau-de-arara” uma forma de tortura do século XVI , prende-se os punhos e os pés do indivíduo em um pau acima do chão. General: Cozinhem esta carne, bem cozida, ele tem que entender que com a minha família não se brinca, não se pode mexer. Fação ele sofrer. *dois soldados torturam Malandro com muito prazer. Carolina que partiu para chamar o grupo de Malandro para lhe libertar chega com o grupo de Guaiamuns e liberta Malandro, neste momento o General chega com os Nagoas, forma-se dois grupos. Manduca sai com Carolina, os dois grupos se posicionam, no fundo da cena entre Malandro com um berimbau na mão, alguém traz um atabaque e Carolina toca um pandeiro. As pessoas começam a se arrumar, tirando e colocando roupas para lutar. Dois a dois, um de cada grupo, eles se aproximam dos instrumentos para começarem a disputa. Bem devagar eles começam a luta. 1- Jogo de “São Bento Pequeno” Coreografia de seqüenciais de ATAQUE/DEFESA 2- Jogo d’Iuna” Coreografia de FLOREIOS. 6- Jogo de “São Bento Grande” rápido com movimentos de ataque bem paroxismos quase pegando um no outro. *General pega uma metralhadora e começa a atira, todos caem mortos, menos Malandro e Carolina. Ele larga a metralhadora que não funciona mais, pega sua pistola e se aproxima de Malandro ameaçando-o. General: Carolina venha comigo. Malandro: Não ! fique! *O General com sua pistola da um tiro perto de Malandro, mais não lhe atinge>. General: Se você quer viver, cale a boca se pobre animal. Manduca: Eu calo minha boca quando eu quiser, se você quiser me prender, devera primeiro me matar. Vai atira! Eu não tenho medo de morrer, viver sozinho é muito triste e eu não pretendo deixa passar esta chance. Eu a amo. * O General aponta a sua pistola na direção de Malandro, faz que vai a tirar e a tira, no momento em que Carolina se mete entre Malandro e seu pai, ela é atingida e cai morta. Malandro: Carolina! Carolina! General: Você! foi você! tudo isso é sua culpa, sem vergonha, cretino, você tocou nela, a usou, roubou o meu sol, a minha esperança, a minha vida, agora ela esta morta, você vai morrer. Manduca: Talvez, mais foi a sua mão que puxou o gatilho, você a matou, você tirou a vida dela, foi você que atirou e acertou nela, você é o responsável. Eu a amava, não poderia lhe fazer mal. * O General aponta sua pistola na direção de Manduca, ele faz que vai atira, mais atire nele mesmo se suicidando. * Malandro acende um cigarro, quando ele vê que Carolina não esta morta. Ele se ajoelha ao seu lado, Carolina passa a mão em sua cabeça, como se estivesse com dor, ela ficar em pé, sorri, ele também. B.O. Quadro 17 : *Todos saíram de cena, entra Carolina com seu vestido dourado e canta “Sai da frente” de Leandro Lehart” Art Popular. Manduca: Amor, eu não consigo viver mais sozinho, amor Preciso de você Do seu amor e de um pouco de carinho, amor To querendo te ver Preciso de sambar, preciso de sambar Samba assim com art popular La na ladeira, samba assim com art popular Na ladeira, é diferente o balançar Na ladeira, ginga no swing Vê se vai na ladeira, E diferente o balançar Que eu não consigo viver mais sozinho amor Que eu não consigo viver mais sozinho amor Sai da frente Que eu preciso é de sambar é de sambar E de sambar, é de sambar *Malandro entra vestido em um terno branco, sapatos brancos, camisa vermelha, gravata vermelha, chapéu Panamá com fita vermelha. ele canta “ Já que tá gostoso deixa”(Mata papai) Paulo Santana e Jorge Santana, entram as dançarinas vestidas de saias amarelas e verdes , na cabeça um arranjo, sandália. Manduca: To doidinho pra te dar um cheiro ô mulher vem cá Não consigo dormir direito de tanto pensar Eu preciso arrumar um jeito de te conquistar Ou quem sabe só tem um jeito que é de te agarrar Me da um beijo no pescoço de fazer arrepiar Você dizendo tá gostoso, tá gostoso pra danar Entre beijos e carinhos nos dois vamos nos amar Mesmo deitado ou de pé você vai ser minha mulher E vai dizer Ai, ai, ai mata papai (mainha) Ai, ai, ai mata papai (mainha) Ai, ai, ai mata papai (mainha) Ai, ai, ai mata papai (mainha) Ai, ai, ai mata papai (mainha) Ai, ai, ai mata papai (mainha) Já que tá gostoso deixa mamãe Deixa mamãe, deixa mamãe, deixa mamãe Malandro canta “Queira eu” Leandro Lehart-Art popular, entra os dançarinos com os instrumentos de percussão, vestidos de calças amarelas e verdes, colete e sapatos brancos, chapéu de carnaval. Manduca: Eu to ti devorando na menina desse olhar beija eu, Beija eu Você só quer sabe é de dançar e de rebolar Olha eu Olha eu Carolina : Foi amor Que eu to aqui sozinho pra poder te paquerar Foi amor To te olhando desejando mas você só quer Dançar Mas você não para não não para não Não para não Não para não Malandro: Beija beija beija eu Beija eu beija Beija beija eu Queira queira queira eu Pra você casar Não precisa nem parar de rebolar *Carolina e Malandro cantam. “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso Carolina : Brasil, meu brasil brasileiro Meu mulato isoneiro Vou cantartes nos meus versos, O Brasil samba que dà, Bamboleio que faz gingar O Brasil do meu amor Terra de nosso senhor Brasil! pra mim, pra mim, pra mim, Malandro: Ah! abre a curtina do passado Tira a mae preta do serrado Bota o rei congà no congado, Brasil, pra mim! Deixa cantar de novo o trovador A merincoria luz da lua, Toda a cançao do meu amor, Quero ver essa dona caminhando Pelos saloes arrastando O seu vestido rendado, Malandro e Carolina: Brasil ! pra mim, pra mim pra mim. FIM Malandro e Carolina cantam: “Carnaval de Salão” popurri de Clara Nunes -Ô abre alas que eu quero passar (bis) Eu sou da lira não posso negar Rosa de ouro é quem vai ganhar -O teu cabelo não nega mulata porque és mulata na cor Mais como a cor não pega mulata Mulata eu quero o seu amor -Linda morena, morena, morena que me faz penar A lua cheia que tanto brilha não brilha tanto quanto o seu olhar -Um pierrot apaixonado que vivia so cantando, Por causa de uma colombona Acabou chorando, acabou chorando -Mamamamãe eu quero, mamãe eu quero Mamãe eu quero mamar Da a chupeta (não dou) Da a chupeta (não dou) Da a chupeta pro nenem não chorar -Yes nos temos bananas, Bananas pra dar e vender Banana menina tem vitamina Banana engorda e faz crescer -O jardineira por que estais tão triste Mas o que foi que te aconteceu Foi a camelia que caiu do galho Que deu dois suspiros e depois morreu Vem jardineira Vem meu amor Não fique triste que esse mundo é todo meu Tu és muito mais bonita que a camelia que morreu -Alalaoooooo, mais que caloroooooo Atravessando o deserto de saàra O sol estava quente que queimou a nossa cara Alalaoooooo, mais que caloroooooo -Oi com pandeiro ou sem pandeiro hêhêhê Eu brinco, Oi com dinheiro ou sem dinheiro hêhêhê Eu brinco (2X) As aquas vão rolar Garrafa cheia eu não quero ver sobrar Eu passo a mão na saca saca saca-rolha E bebo ate eu me afogar , Deixa as aguas rolar Quem sabe, sabe conhece bem, como é gostoso gostar de alguem (2x) - Para para para para melhor motorista não hà ( 2X ) - Ei voce ai, me dà um dinheiro ai, me dà um dinheiro ai ( 2X ) - He, he, he, he indio quer apito, se não der pau vai comer ( 2X ) - Quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta Lugar quente é na cama ou então no bola preta ( 2X ) - Se a canoa não vira olê olê ola, eu chego là ( 2X ) Malandro canta: “500 anos” de Chico Buarque A quinhetos anos sobre a terra Vivendo com o nome de Brasil Terra muito larga e muito extença Com a forma aprocimada de um funil Agora ela é feita de agua benta Onde o preto e o branco vem mamar O amarelo almoça ate polenta E um resto de vermelho a desbotar Sou pau onde todo mundo senta Onde agente sempre poem mais um O berço esplendido aguenta Toda essa galera em gejum A pesar de deus ser Brasileiro Outros deuses izac tem lugar Tor, Exu, Tupain, Alah, Oxossi Zeus, Roberto, Bugle e Oxala Aqui não tem terremoto Aqui não tem revolução E um pais abençoado Onde todo mundo poem a mão Brasil potencia de neutrons Trinta e cinco walts de explossão Ilha de paz em prosperidade Num mundo conturbado sem razão Brasil, brasil, brasil, brasil, A mulher mais linda do planeta Ja disse o poeta altameiro Que seu rebolado é poesia Salve o povão Brasileiro Mais que um piano é um cavaquinho Mais que um bailinho é um carnaval Mais que um pais é um continente Mais que um continente é um quintal Aqui não tem terremoto Aqui não tem revolução E um pais abençoado Onde todo mundo poem a mão Brasil potencia de neutrons Trinta e cinco walts de explossão Ilha de paz em prosperidade Num mundo conturbado sem razão Carolina e Malandro cantam: “E ruim de segurar” de Simone E rui de segurar assim não da é pra vencer Do geito que esta vamos pagando pra sobreviver Se trocou não mudou nada jogo de carta marcada E so ferver, a panelinha armada tem muita braza E ninqum bota pra ferver isso aqui ta brincadeira Isso aqui ta brincadeira, ou sera que não esta Ta, ta, ta, brasileiro brasileira ta na hora de gritar Isso aqui ta brincadeira, ou sera que não esta Ta, ta, ta, brasileiro brasileira ta na hora de gritar, mais chega! Chega de levar tanta porrada vamos ver se a papelada dessa vez é pra valer, é pra valer! Chega ta virando sacanagem As promessas são bobagens que so faz aborecer Cansado rasgo a fantasia desta anarquia Na desputa do poder Piui piui, pua pua Eu quero ver onde essa porra vai para Piui piui, pua pua Eu quero ver onde essa porra vai para *Musicas utilisadas no espetaclo: 1- Aquarela do Brasil - Ary Barroso Orquestrado 2- Ginaga Malandro - Iram Custodio Manduca 3- Desafio de Capoeira- Iram Custodio Grupo de Capoeiras 4- Rio de Janeiro - ? Géneral 5- O Sole Mio! - G. Capurro Général 6- Lata d’agua - ? Dansarinas 7- O Samba - ? Lavadeira 8- Isso Aqui - Ary Barroso Manduca 9- Cidade Maravilhosa-Valsa de uma Cidade ? Carolina 10- Fascinaçao - Elis Regina Manduca 11- Lindi Balão Azul - Guilherme Arantes Soldado Paulo 12- Onde estas Felicidade - Manduca e Coro 13- Como é grande o meu amor por voce - Roberto Carlos Manduca e Carolina 14- O sonho azul da minha vida ou Triste ? - Manduca 15- De tanto amor - Roberto Carlos - Carolina e Manduca 16- Carinhoso - João Barro et Pixinguinha - Manduca 17- Trem das onze - Adoniran Barbosa - Carolina 18- Uma Noite - Renato Rocketh - Manduca 19- Quando você me beija - Leandro Lehart - Carolina 20- Negro - Iram Custodio - Manduca 21- O tabuleiro da bahiana - Ary Barroso - Bahiana e Velho Mestre 22- O la la, o le le - D.P. 23- Inverno - Tim Maia - Manduca e Carolina 24- Maculele - D.P. 25- Tristeza - - Carolina 26- Sai da frente- Leandro Lehart - Manduca 27- Ja que ta gostoso deixa - Paulo et Jorge Santana- Manduca 28- Queira eu - Leandro Lehart - Manduca 29- Aquarela do Brasil - Ary Barroso -Carolina 30- Carnaval de Salão - popurri Clara Nunes- Manduca e Carolina 31- 500 anos - Chico Buarque - Manduca 32- E ruin de segurar - Simone - Carolina e Manduca Costumes du Spectacle: 1- Malandro- Tee-shirt rouge et blanc, pantalon blanc, chaussure blanc et chapeau panama. 3- Groupo Guaiamuns - Costume blanc, chamise blanche, cravate rouge, chaussure blanc, chapeau panama 4- Groupo Nagoas - Costume noir, chamise noir, cravate bleue claire, chaussure de verni noir, chapeau feutro noir. 5- Général - Costume millitaire verte, cravate verte, chaussure noir,chaupeau verte. 6- Carolina - Robe rouge (vestido vermelho) 7- Lieutinan- Costume millitaire verte. 8- Trois soldads- Costume millitaire verte, chaussure, casquete, 9- Trois danseuses- Jupe et bustie colorie 10- Maria lavadeira- Bluse et jupe, pié nu. 11- Enfant de Maria - Chorte et chemise, pié nu. 12- Vieux - Pantalon gris, chemise caque, pié nu. 13- Vicente - Chorte et chamise, pié nu. 14- Onorato - Chorte et tee-shirt, pié nu. 15- Bahiana- Costume carnavalesque blanc, jupe, torço, bluse. 16- Quatre Policie- Chemise, pantalon, casquete bleue, chaussure noir. 17- Madame - Robe colorie, saque a main, chaussure, collier, Bracelle. 18- Quatre danseurs de Maculele - Jupe en paille, collier, pié nu. 19- Deux capoeiristes - Pantalon blanc, pié nu. 20- Malandro torturado - Pantalon blanc de ração, calsolão. 21- Malandro- Chaussuer Blanc, costume blanc, chamise rouge, cravate rouge, chapeau panama. 22- Quatre danseuses - Jupe et bustille jaune et verte, chapeua jaune et verte, chaussure noir. 23- Huit danseurs - Pantalons et tee-shirt jaune et verte, chaussure blanc, chapeau de paille musical 24- Carolina- Rumbeira color or, chapeau or, chaussure talon or.
ASHE – FIGURE BRESILIENNE écrire en 1992 par Mestre Iram Custodio LEXIQUE La Baiana : C’est la femme de Bahia, qui, venant de la communauté des esclaves et du candomblé, sort dans les rues, vêtue des costumes traditionnels religieux, pour vendre aux passants les plats africains (acareje, pastels…) afin de collecter l’argent nécessaire à la vie des communautés et à l’organisation des rituels africains. Candomblé : Nom utilisé au Brésil pour désigner le culte des Orixas, la religion païenne Yoruba du Bénin et de l’ouest nigérien, qui s’est transmise au Nouveau Monde – Brésil et Cuba – par l’intermédiaire des esclaves noirs. A Cuba, on l’appelle la Santeria. Pratiquée ou, pour le moins, fréquentée par la majorité de la population noire ou blanche dans ces pays, elle confère à la culture africaine une très grande place dans le sentiment d’identification culturelle et nationale brésilienne et cubaine (cuisine, musique, signification des relations entre individus…, dont les caractères profanes sont toujours connotés de sens sacré. Religion polythéiste, comparable à la religion de la Grèce antique, elle a pour mission, en faisant descendre les dieux parmi les hommes au cours des fêtes rituelles, de s’assurer du concours des forces cosmiques et naturelles dans les entreprises collectives ou individuelles. Religion essentiellement urbaine et suburbaine – les grands centres sont Salvador, Rio de Jantille, São Paulo, au Brésil, Habana, Santiago à Cuba, Ibadan, Lagos, Ifé au Nigéria, elle a longtemps survécu clandestinement au Nouveau Monde, dissimulant le culte des dieux païens derrière l’utilisation, à leur place, des noms et des représentations des saints catholiques. Cela a donné naissance à divers syncrétismes réunis sous le nom de Umbanda au Brésil. Maculele : Forme de combat au bâton, né dans les plantations de cannes à sucre à l’époque de la colonisation. Créé par les esclaves démunis avec « les moyens du bord », c’est-à-dire les tiges de canne, puis, plus tard avec les machettes. Orixa : Littéralement : maître de la tête. Divinités païennes Yorubas. Les Orixas sont comparables aux dieux grecs. A la fois identification des forces cosmique ou naturelles, de traits de caractère, et divinisation des personnages des légendes mythologiques des origines. Par exemple, Chango, dieu de la foudre et de la justice, est aussi, dans la mythologie, le troisième roi de la ville Yoruba de Oyo. Le culte des Orixas est destiné à permettre aux hommes de s’assurer, dans leurs entreprises, des qualités particulières de ces forces naturelles. Il consiste en offrandes et sacrifices appropriés, dictés par les jeux des oracles. Pour les adeptes, chaque individu possède en lui les énergies et les caractères de tel ou tel Orixa. Par l’initiation aux rituels il apprendra à incarner véritablement sa divinité tutélaire parmi les hommes, en laissant l’Orixa prendre possession de son corps – c’est la fameuse transe – au cours des fêtes et des cérémonies offertes aux dieux et aux hommes. A chaque Orixa correspond une série de légendes, une force naturelle, une couleur, des offrandes, des plats… Par exemple, Ochum : eaux douces, sexualités féminines, or ; Ochala : la création, la savane, le ciel, blanc, l’igname, la colombe. Ogum : le fer, la guerre et la forge, bleu marine, la viande des chiens… Porta Bandeira et Mestre Sala (porte-drapeau et maître de salle) La bannière de l’école de samba est portée par une femme, accompagnée du maître de salle qui défile à son côté. Vêtus des costumes de la noblesse coloniale, ils jouent le rôle de maîtres de cérémonie, dirigeant l’ordonnancement de l’école de samba pour le défilé du carnaval. Preto Velho (vieux noir) L’Ancien, c’est une figure, presque une entité divine du panthéon des noirs brésiliens. Il représente l’esprit du vieil esclave, qui a connu les souffrances et l’exploitation des colons, et qui revient parmi les Noirs. Il comprend leur rigueur, l’approuve, mais joue un rôle modérateur d’ancêtre. A appuyé sur une canne, souvent assis, fumant la pipe, il écoute les colères et les passions des gens qui demandent son appui. Puchada de rede (halage des filets) Cérémonie des populations de pêcheurs à Bahia, le halage des filets, acte central de la vie des communautés de pêcheurs, donne lieu à un rituel particulier destiné à favoriser la pêche. Quilombo Camp où se réunissaient les esclaves qui avaient fui les plantations. Des combats avaient lieu régulièrement pour déterminer qui était le plus fort et pour en faire le chef du quilombo. Le quilombo formait une véritable société organisée. On comptait plusieurs quilombos au Brésil mais le plus important était celui de Palmarès qui rassembla plus de deux mille esclaves. ASHE figure brésilienne Scène 1 Lumière à 40% Bande son : hurlement du vent, hurlements des loups, cris des esclaves, bruissements d’herbe froissée, crissements d’insectes, gémissements des agonisants. Esclaves enchaînés par les poignets, les chevilles. Ils ont un collier de fer au cou. Ils sont battus, fouettés par les gardes. En même temps : projection de diapositives (montrant l’esclavage au brésil) Narration simultanée : « Les lamentations des nègres étaient une blessure au ceour de qui les entendait. Ces lamentations d’impuissance sont aussi la force qui existe en chacun être faible car c’est le signe qu’il va se réveiller, qu’il se réveille. Les lamentations des nègres volent vers les forêts pour y créer des quilombos*. Les lamentations des nègres font sonner les atabaques et descendre les dieux Orixas* sur la terre. Les lamentations des nègres sont profondément tristes. Mais c’est leur arme, leur façon de rester vivants. » La lumière s’intensifie. Le chef des gardes (à son assistant) – Fait avancer tes animaux ! Fais avancer ces paresseux ! L’assistant – Ne pourrait-on dormir ici ? Un esclave – De l’eau ! De l’eau ! S’il vous plaît un peu d’eau ! L’assistant – Rien du tout pour toi, chien ! (Le chef frappe du pied celui qui vient de demander de l’eau.) L’esclave qui vient d’être frappé se retourne, fait tomber l’assistant par un croc de jambe (rasteira*) Et le chef par un coup de talon sur la poitrine benção*. Tous les autres s’enfuient, suivis aussitôt par le chef, l’assistant et l’esclave. La scène reste vide. L’esclave qui s’est rebellé revient et tombe à genoux. Il adresse une prière aux dieux Orixas. Fumigènes, succession de flashes de lumière colorés. Musique : percussions (trois atabaques, Candomblé*) Le dieu Exu fait son entrée et se met à danser pour l’esclave (les flashes de lumière sont alors à prédominance rouge). Puis, lorsque Exu a fini sa danse, le dieu Ogum fait son entrée et se met à danser à son tour ( les flashes de lumière sont alors à prédominance bleue). Entrent ensuite les autres dieux Orixas : Ochossi, Chango, Yansan, Ochoun, Obalouaye, Yemanja et Ochala. Pour chacun, les flashes de lumière sont de couleurs différentes. Scène 2 Maculele* Toile de fond : une plantation de canne à sucre, avec les esclaves au travail. On aperçoit un moulin. Accessoires : Dix véritables cannes à sucre, cinq d’un côté, cinq de l’autre, confondues avec le décor. Sur la scène, à nouveau les esclaves fouettés par le garde, qui abat sur eux une tige de canne. Deux esclaves commencent à mimer un combat (maculele), chacun muni d’une tige de canne qu’il a prise sur la scène. Pendant le combat des deux esclaves tous les autres sortent. Puis ils reviennent vêtus de leurs costumes typiques et commencent à danser et chanter le maculele. Les deux esclaves sortent. [Partition 1.] A la fin du maculele, les danseurs sortent. Les deux premiers esclaves reviennent et, muni chacun d’une machete, ils dansent sur le seul rythme des atabaque. Noir. Scène 3 Aucune toile de fond. Deux porteurs font leur entrée, chacun avec un lourd sac l’épaule. Ils croisent la Bahiana*, portant sur la tête son plateau de quitutus (divers mets africains : acaraje, caruru, ubu, mungunza, cocada, pe de moleque, quebra queicho…) Elle chante tout en proposant ses quitutus aux spectateurs dans la salle. [Partition 2. ] Puis elle joue decrescendo, entrent plusieurs couples, des pêcheurs et leur femme. Scène 4 Puchada de rede* Toile de fond : une plage avec une petite maison et des cocotiers. La Bahiana continue de jouer tandis que les hommes traversent la scène et sortent, après avoir embrassé leurs femmes qui demeurent sur la scène. Le Preto velho* fait son entrée et reste dans le fond, secoué par des transes. Entrent les deux percussionnistes avec leur atabaque. Ils s’installent à côté de la Bahiana et commencent lentement à jouer avec elle. Les femmes des pêcheurs demandent la bénédiction du preto velho. Il la leur donne puis sort. Les femmes allument des bougies puis s’agenouillent pour prier. La lumière baisse d’intensité. Les percussionnistes commencent à chanter tandis que les pêcheurs reviennent sur la scène en chantant eux aussi et en tirant leurs filets. Les femmes se redressent, éteignent les bougies et s’avancent vers eux pour les aider. [Partition 3. ] Les pêcheurs et leurs femmes font une fête pour célébrer leur pêche qui a été bonne. La Bahiana et les deux percussionnistes jouent crescendo. Les pêcheurs et leurs femmes font une danse afro-brésilienne. Puis, tout en dansant, ils sortent, suivis des deux percussionnistes et de la Bahiana. Un maître de capoeira et son jeune élève font leur entrée. Le maître, tout en marchant, montre à son élève quatre passes de capoeira qui, chaque fois, feront tomber le garçon : rasteira, vingativa, arrastão et banda de costa. Le maître et son élève sortent par le côté opposé. Scène 5 Capoeira* Toile de fond : une place à São Salvador de Bahia, avec une église. Un musicien fait son entrée : solo de berimbau, rythme lent (angola). Entre un second musicien : solo de berimbau, rythme un peu plus rapide (são bento pequeno). Puis le premier se met ensuite à jouer avec lui. Entre un troisième musicien : solo de berimbau, rythme rapide (são bento grande d’angola), puis les deux premiers se mettent ensuite à jouer avec lui. Les trois ensembles font plusieurs variations sur leur berimbau : são bento grande regional, cavalaria, santa maria, idalina, samba de roda, iuna. (Entrent deux musiciens : un atabaque et un pandeiro) [Partition 4. ] Sur cette dernière variation, entre un quatrième capoeiriste qui exécute une acrobatie. Puis un cinquième, puis un sixième capoeiriste. Ces trois derniers capoeiristes exécutent le jogo de Angola puis chantent la ladainha de angola, são bento grande et samba de roda. A la fin de la samba de roda, plusieurs filles en costumes jaune et vert font leur entrée. Elles reprennent la samba de roda avec les capoeiristes. Pendant ce temps, les joueurs de berimbau sortent. Les filles dansent avec les capoeiristes puis ceux-ci quittent la scène. Ils reviennent en costumes jaune et vert et des percussions de samba. Les filles se munissent aussi de percussions. Ils chantent, ils dansent tous et toutes. Le carnaval commence. Scène 6 Samba Sur la scène, tous les participants, en dansant et chantant, forment un demi-cercle face au public [Partition 5. ] La Porta bandeira* et Mestre Sala* font leur entrée. Ils dansent. Entre un nouveau personnage vêtu d’un costume luxueux et très brillant avec plumes, sequins… Il parcourt la scène, éclairé par une poursuite, puis se place au milieu, au fond. Enfin, Pierrot fait son entrée. Il exécute quelques acrobaties. Musiciens et chanteurs vont jouer decrescendo et occuper les bords de la scène puis sortir. Pierrot demeure seule au milieu de la scène, éclairé par une douche. Un saxophoniste (hors scène) commence à jouer. Pendant ce temps, la lumière n’a cessé de baisser d’intensité. Finalement Pierrot reste éclairé par la seule douche. Il est triste. La lumière baisse encore. Le saxophoniste cesse de jouer. Noir FIN
Morceau du texte « Capoeira la recherche » écrire par Mestre Iram Custodio. (pour avoir la totalité il faut se procure le livre.) CAPOEIRA LA RECHERCHE Auteur Mestre Iram Custodio Préface Tout le monde recherche quelque chose dans la vie, nous sommes des êtres non satisfaits. Qui pourra me dire qu’il est satisfait de son existence ? Nous ne pouvons pas nous contenter de toutes ces bonnes choses que nous arrivons à conquérir et gagner dans notre vie, il nous faut de plus en plus de choses. Insatisfaits, nous sommes de grands insatisfaits. Riches, pauvres, moyens, peu importe. Toute la planète est insatisfaite. Quelques-uns deviennent même une arme du mal, avec ou sans les bénédictions des gouvernements, les êtres humains ont choisi de détruire, faire du mal et angoisser plus d’un. L’absurde est tel que quand ils sont dans une guerre soit interne ou externe, peu importe, ils se voient dans le droit de tuer, d’éliminer et de faire disparaître des êtres comme eux. Pardonnez-moi, nous ne sommes pas comme eux. Nous ne tuons pas, nous ne détruisons pas, nous ne faisons pas peur aux enfants, encore moins aux adultes. Cette espèce de gens devrait être mise avec les animaux féroces, juste pour voir si sans leurs armes, ils sont aussi forts qu’ils le démontrent, quand ils sont en groupe ou armés. Des lâches oui, ils sont bien des lâches. D’où je viens à conclure que l’autorité et le malfaiteur sont pareils, ils intimident et ils font du mal avec l’arme du pouvoir. Triste à dire qu’encore au XXIe siècle il puisse y exister autant de malades, et que les droits de l’homme paraissent pouvoir nous protéger, mais n’y arrivent pas. Fou encore de constater que souvent ces aberrations sont couvertes par des politiciens très connus. Quand les hommes et les femmes de cette planète vont-ils faire quelque chose contre l’ignorance et le laxisme ? Beaucoup d’entre-nous, en présence de nos amis, de nos proches, montrent une joie, un contentement de vivre qui est affreusement faux. Ils cherchent surtout à cacher leur angoisse. Nous ne pouvons rien faire, quelques personnages très rusés de notre société ont trouvé une façon pour gagner de l’argent sans rien faire. Ils doivent juste écouter. Ils écoutent, mais n’écoutent pas, si le patient par hasard lui demande de répéter ce qu’il vient de dire, le mauvais docteur va prendre un bon quart d’heure pour expliquer ce qu’il n’a pas vraiment entendu. Le problème des gens, il n’y a que les animaux pour le résoudre. Parfois je rencontre des personnes qui cherchent une autre personne, un amour par exemple, parfois du travail ou une école, mais cette recherche ne finit jamais. Les êtres humains sont des curieux, curieux parfois du sort que la vie leur réserve. Ils aimeraient savoir ce qui va se passer par exemple s’ils font ceci ou cela. Parfois ils vont en prison. Dans ma recherche, j’essaye de découvrir ma valeur. Je n’ai pas découvert grand chose, je cherche toujours à écrire et à écrire, mais quand j’ai fini d’écrire, je cherche quelque chose d’autre à faire, et c’est comme ça. On finit une chose et l’on en cherche une autre, et cela continue comme une spirale, ça n’arrête jamais. Certaines personnes restent tout au long de leur vie à chercher quelqu’un. Sans savoir si cette personne est encore en vie, nous nous accrochons, nous prions, et nous essayons d’avoir des réponses que nous ne trouvons jamais. La vie parfois est dure et triste. Et pourquoi ? Je vous le demande. Et pourquoi le monde doit-il être indifférent à la misère, à la faim, à des petites choses ignobles qui, en effet, ne donnent plaisir et satisfactions qu’à un petit groupe de rien du tout. Un monde aveugle. Un monde d’arrogants. Un monde de Dieu. Quand j’étais gamin, on voulait savoir, mes copains et moi, qui a eu cette idée de créer le travail ? Misérable celui-là. Qui a créé la forme la plus ignoble de mépriser un autre être humain ! Plus tard, j’ai voulu savoir qui a créé le mot Dieu ? Qui a créé ce personnage, dont tous les fous de la planète disent recevoir l’ordre de lui pour justifier toute atrocité, toute torture, toute mort, toute destruction faite en son nom. L’église : des coupables ; les prêtres : des fâcheux. Les hommes saints : les mensonges, la complicité avec le pouvoir pour mieux commander. Depuis longtemps la douleur est énorme. Des siècles sont passés et tout semble pareil. Et un inventeur de la morale pourrie dit que nous avons fait des progrès. Ils diront par exemple que nous sommes civilisés. – Je rigole ! Nous sommes intelligents. – Je rigole deux fois ! Que nous avons marché sur la lune. Triste constatation. Avec tous les problèmes qu’il y a dans le monde, qu’est-ce que cela peut me faire si quelqu’un a découvert une nouvelle constellation ? Les hommes et les femmes qui ont le pouvoir doivent travailler pour la dignité de l’espèce humaine, point. Le problème que je vois, c’est que beaucoup d’êtres humains se disent déjà supérieurs. Qu’est ce que cela veut dire être humain ? Un humain qui voit et accepte d’en voir d’autres mourir ou de voir exterminer des animaux, toujours avec une bonne excuse à la fin : – C’est pour faire des habits, c’est pour faire de l’argent, notre économie n’est pas très forte... Le dit humain, doit avoir honte. Avec une énorme richesse sur la planète et beaucoup de personnes mortes de faim, de maladies et de chagrin. Ah ! L’humanité est hypocrite, ainsi que sa règle : « qui n’est pas est exclu ». La vie, telle qu’elle est, est une divinité donnée à tous pour pouvoir se surpasser, mais se surpasser en quoi ? La question que tellement de monde s’est déjà posée est pourquoi sommes-nous là ? Qui sommes-nous vraiment ? Est-ce que nous sommes une sorte d’expérience, qu’un extraterrestre a mise au point, pour trouver l’humanité parfaite, peut-être pourrons nous expliquer la raison de tant d’aberration, de malades, d’affreux qui dégoûtent toute une race. Beaucoup de questions attendent des réponses, pourquoi les erreurs d’hier sont les mêmes aujourd’hui, les hommes tels qu’ils sont intelligents, alors pourquoi ne font-ils rien pour changer notre manière de penser, de réfléchir, d’écouter. Heureusement il y a, et il y a toujours eu des exceptions, qui ont toujours montré le bon côté des choses, dommage qu’ils ne puissent pas être proportionnellement nombreux comme l’humanité le demande. La destruction de la planète Terre, on peut dire qu’elle est imminente. Des pays pauvres, idiots, sans intelligence possèdent de petites bombes atomiques. Elles sont de petite taille, mais de grande capacité de destruction. Avec cette mentalité capitaliste, libérale et « ce n’est pas mon problème », le monde risque bientôt, dans trois ou quatre siècles, d’être bien différent de cette beauté qu’il a aujourd’hui. Franchement, le monde, il vous plait ! Alors, il faut faire quelque chose... Rester sans réponse à cette question, c’est dur. Vous devez vous demander : Qu’est-ce que je peux faire ? Comme ce doit être horrible de ne pas en avoir envie. Rester cool comme des vaches, suivre le troupeau sans rien dire. Comme ce doit être horrible de tout accepter. De se résigner. De perdre ceux qui vous sont chers, de ne plus les écouter, de ne pas les voir. De reste cette même question – Qu’est-ce que je peux faire ? – des milliers de personnes se le demandent chaque jour dans le monde. Penser à rencontrer son enfant, l’être aimé ou sa mère disparue depuis quelque temps. Rester sans savoir ce qu’ils sont devenus. S’ils vont bien ou s’ils sont en vie... Une angoisse énorme reste présente pour toujours. Nous les être humains, à plusieurs moments de notre existence, nous nous sommes comportés comme des animaux très dangereux et méchants. Heureusement, nous ne sommes pas tout le temps comme ça. Cela nous arrive à peine quelquefois. C’est honteux. A cette occasion, nous nous montrons d’une violence démesurée. L’homme devient un animal féroce et insupportable. La vie, la vie n’est pas importante. Quelques-uns, sans avoir vraiment réussi, essayent sans succès de faire comprendre que la vie est l’essentiel. Combien de jeunes gens sont morts dans le monde, et qui peut-être, s’ils avaient vécu, auraient changé notre façon de vivre ? On ne pourra jamais répondre à cette question. Alors qui va changer le monde ? Dans le monde, un grand nombre de personnes disparaît. Plus qu’on pourrait le croire. Tout le monde s’en fiche. Si ce n’est pas un proche, on dit : – C’est dommage, le pauvre ! Quel gâchis ... ! Les êtres humains dans leur grande majorité sont affreux, pauvres d’esprit et égoïstes, avec un grand air con ou idiot et hypocrite. Alors vous savez que ces gens, qui ont perdu quelqu’un, ne vont plus jamais dormir tranquilles. Eux, ils vont toujours penser à revoir leurs proches. Ils vont rester dans l’attente que quelqu’un vienne leur dire qu’ils ont trouvé quelque chose. Même si la certitude de ne jamais les revoir les consume, l’espoir de les revoir un jour, des les enterrer et de faire leur deuil persistera. Ces mots sont pour tous ces gens qui ont perdu quelqu’un. C’est pour vous dire qu’il y a quelqu’un comme moi, qui pense à vous et à vos proches. Sans pouvoir pour autant faire quelque chose. Nous sommes désolés. Mestre Iram Custódio. SOMMAIRE : 1- PREFACE - page 4 2- PROLOGUE - page 11 3- LA RENCONTRE - page 22 4- LE RETOUR À PARIS - page 36 5- L’AMI - page 42 6- LE COURS DE CAPOEIRA - page 48 7- LE COURT-METRAGE - page 65 8- L’INFORMATION - page 76 9- L’INITIATION - page 83 10- UNE SOIREE - page 90 11- LA VISITE A L’AMBASSADE - page 98 12- LA REPONSE - page 104 13- LA REUNION - page 112 14- LA JEUNESSE - page 122 15- LES JEUNES - page 126 16- LA PLANQUE - page 136 17- AU MARCHE - page 142 18- UN MOMENT DE VERITE - page 150 19- LE PLAN D’ATTAQUE - page 158 20- LE TELEPHONE - page 186 21- UNE DEESSE - page 194 22- L’AUTRE JOUR - page 203 23- UNE SURPRISE - page 209 LA RENCONTRE Je me réveille très tôt pour me rendre à la plage, il fait encore nuit, je regarde la montre du salon et elle marque cinq heures et demie. Je prends mon petit déjeuner en vitesse et je pars. Une belle journée s’annonce, le soleil commence à naître à Rio de Janeiro, une grande boule de feu fait son apparition. Rien qu’un jour après l’autre. Le vent léger et frais frappe doucement le corps d’un homme qui sur une plage, la Barra da Tijuca, regarde le soleil qui brille jaune, presque orange à l’horizon. La Barra da Tijuca est une plage très grande, elle commence au Quebra-Mar qui est un lieu très connu des surfistes, quand la mer grandit, au « quebra-mar » cela donne de très bonnes vagues. La plage de Barra s’allonge sur environ vingt kilomètres, en traversant la réserve, une partie de plage protégée et qui est destiné à l’armée de mer brésilienne. La plage de Barra continue jusqu’au Recreio dos Bandeirantes, un très bel endroit, où j’ai commencé à pratiquer le surf en 1973. A cette époque, la mer offrait des vagues impressionnantes, parfois hautes de quatre à cinq mètres, un vrai régal. Barra da Tijuca aujourd’hui est un des quartiers qui se développe le plus à Rio, avec ses lacs qui sont magnifiques, avec sa forêt, qui commence dans le quartier d’Itanhanga et qui se développe vers l’Alto da Tijuca, qui ne fait plus partie de Barra mais qui donne accès à une belle forêt, où nous trouvons la Vista Chinesa et as Paineiras, un lieu privilégié qui actuellement reste très dangereux à certaines heures. La Barra da Tijuca avec ses grands centres commerciaux, des habitations à quinze étages, des rues larges et avec des arbres que font un beau contraste, avec aussi des îles, que beaucoup habitent et pour se rendre chez eux ils doivent traverser une rivière en canoë. La Barra est sans doute un grand point commercial de Rio, où les belles maisons cachent des artistes connus, avec leur belle voiture coûtant des milliers de dollars. Cette Barra ne s’est pas encore arrêtée de grandir, elle se développe et elle s’organise. Avec la difficulté pour se rendre au centre de la ville pour travailler, des associations de riverains sont créées, le projet de la réalisation d’une ligne de métro qui va relier Barra au centre de la ville doit sortir du papier. Avec encore beaucoup de terrains vides, Barra doit grandir encore et encore. Dans cette belle journée qui s’annonce, je peux voir. De belles vagues s’élèvent, le vent du nord-est souffle contre les vagues. Les vagues se forment, se brisent et un bras sort de la vague vers la plage. L’une après l’autre, les vagues se brisent dans la mer. L’homme noir était assis de profil, tête basse, immobile. En passant en voiture, j’ai vu sa silhouette. Je me gare un peu plus loin et je m’échauffe pour faire mon jogging. Les étirements matinaux me sont essentiels, un bon échauffement aussi. Je passe en courant près de ce personnage étrange, je le remarque plus précisément, il n’y avait pas beaucoup de personnes à la plage à cette heure-là. C’est un pêcheur, je me dis. Je croyais qu’il dormait, moi je courais, un jogging matinal est indispensable. J’adore courir, la sensation de liberté est énorme, quand je cours je me sens vraiment libre. Je ne crois pas avoir ressenti de sensation aussi agréable que celle-là une autre fois. Parfois je cours dix kilomètres, ça me donne une bonne forme et une bonne respiration. L’homme, je pensais qu’il dormait, mais à mon retour, il range ses affaires. En effet, il pêche, alors il garde sa canne à pêche, et d’autres choses que je ne peux pas voir vraiment ce que c’est. Un peu plus loin, je me suis arrêté pour faire un étirement et travailler un peu ma ginga, mouvement de déplacement de l’art martial brésilien que je pratique. Il faut toujours en faire un peu, j’aime bien travailler comme ça, en plein air, alors je commence à faire mes petites choses de capoeira, Gingas, fente de aù, fente de armada, fente de meia-lua-de-compasso, fente de queixada com entrada, fente de rasteira, et des déplacements. Je pense que si nous avons une bonne base, dans n’importe quel art que nous avons décidé de pratiquer, le reste est plus facile. Dans cet entraînement, j’aime aussi jouer tout seul, en faisant semblant de jouer avec quelqu’un. Je commence à jouer, à faire des séquences, à donner des coups de pied dans le vent et à améliorer mes équilibres. Mon objectif à ce moment est de voir et d’essayer de tenir compte de mes fantômes, qui sont toujours à mes côtés. Oui, je pense que des esprits sont très proches de nous, parfois ils sont bons et parfois ils sont mauvais. Quelques-uns veulent que nous avancions, que nous réalisions nos rêves, qu’on puisse être heureux et passer notre moment sur cette planète et dans cette vie, d’une manière tranquille et cool. D’autres esprits sont là pour nous dévier du bon chemin, voir si nous sommes assez forts pour résister aux choses interdites, les choses faciles, ces choses pour lesquelles parfois nous passons toute une vie pour réussir à avoir. Beaucoup n’arrivent pas à conquérir leurs rêves, ils s’en accommodent, prennent racine, acceptent leur destin, se résignent à être simplement un être qui va vivre et mourir, et personne ne va savoir qu’il a existé. Alors, quand je me bats contre personne, que je fais mon combat avec des esprits que je ne vois pas, des forces qui essayent à la fois de me déprimer, de me démoraliser, de me faire penser que tout est perdu et que la folie est la solution, je dis non, et je me bats. Je mène mon combat contre ces forces avec la capoeira, je donne des coups dans l’air et j’imagine bien ce qu’il ou elle doit sentir quand mes coups le touchent, ma résistance, c’est cela. Me battre pour mes idéaux est mon objectif, déchiffrer ce que je suis venu faire ici sur cette planète est mon obsession, découvrir qui je suis réellement me fait peur. Je continue à lutter contre les forces invisibles, qui parfois me font tomber par terre. Le pêcheur commence à se promener. Il marche le long de la plage, sur l’eau, le soleil reflète sa lumière sur un sable très blanc et fin, les traces de ses pieds sont figées sur le sable derrière lui, il a l’air d’être triste, son pas est lourd, son corps un peu courbé, et une expression amère marque son visage. Le pêcheur suit son chemin, quand il voit très loin quelqu’un faire des mouvements. Il s’approche doucement, il commence à mieux voir... En effet la personne exécute des mouvements de capoeira. Il s’arrête à quelques mètres, pose ses affaires, il s’accroupit, il regarde, il réfléchit. Moi qui le suis du coin de l’œil sans m’arrêter, je me demande s’il fait partie de ce monde imaginaire que nous avons tous. Je commence à le voir plus nettement, je me demande s’il pouvait voir les esprits avec qui je joue. Le soleil commence à être de plus en plus fort, parfois des éclairs venus du soleil m’aveuglent. Le sable monte avec mes coups de pied, la poussière donne un effet surréaliste, avec des petites étoiles qui brillent. Je me suis arrêté un moment, le lac de Marapendi brille comme un miroir. Ce moment de la journée est pour les privilégiés. Le lac de Marapendi est à deux cents mètres de la mer, c’est un lieu encore vierge et où la nature suit son cours. Je vois un caméléon qui monte sur une pierre, il a changé de couleur et a suivi son chemin, quelques oiseaux s’envolent, un animal crie. Je retourne à ma ginga, à mon entraînement, à mon combat, la sueur commence à descendre, à tomber sur mes yeux, le sel de mon corps me brûle les yeux, j’évite de m’arrêter, je continue, même si la douleur de mes yeux me fait mal. Parfois, il faut savoir se battre contre la douleur. L’homme qui reste à m’observer se relève d’un coup, il vient dans ma direction. Dans la direction du Capoeiriste. Sans rien lui dire, il se met devant le Capoeiriste, le Capoeiriste le regarde sans étonnement, la ginga reprend. Les deux hommes jouent de la capoeira, le pied passe près de leur tête, ils se déplacent comme des fauves, des sauts par-là, un équilibre par-ci, et les capoeiristes prennent goût, le rythme du jeu prend de l’importance, le soleil qui commence à taper fort les fait transpirer de plus en plus. Une saveur de déjà vu est dans la bouche, celui qui luttait contre des forces invisibles est maintenant avec quelqu’un de bien vivant. Dans un coup de grâce, le Capoeiriste donne un coup de tête sur un aù du pêcheur. Il est déséquilibré, il tombe et d’un geste surprenant il se dégage et sort en negative. Il se met debout, s’approche du Capoeiriste et lui serre la main. Le jeu reprend. D’un geste sec, le Pêcheur, qui était en négative, s’accroupit par terre. Il se lève en posant ses mains par terre et son corps tourne comme un pion, le Capoeiriste exécute une decida básica, passe à la negative et démarre un macaco, quand ses deux pieds touchent le sol, le Capoeiriste rebondit de suite, son corps s’envole, il se réceptionne en posant ses mains par terre, il revient sur un equilíbrio. Le Pêcheur lui regarde dans une position de equilíbrio connu par le nom de queda de rins. Par un mouvement surprenant il se dégage et se met à rouler, dans plusieurs Rolês, le Pêcheur tourne sur le Capoeiriste que le suit du regard. Le Pêcheur se met debout, la sueur coule sur sa peau noire, son visage maintenant plus visible décrit un homme qui doit avoir dans les quarante ans. Il a un air triste, malheureux, le regard de ces gens qui n’attendent qu’un miracle pour les sauver. Pourtant il est en forme, il montre une bonne santé, avec des gros bras et un large thorax, c’est un grand homme en bonne santé. Évidemment, il est triste, et parfois on meurt de tristesse. Le chagrin est un ennemi redoutable, car peu à peu, il vous mange de l’intérieur et il tarit tous vos espoirs jusqu’à ce qu’un jour, vous périssiez. La vie est belle pour une petite partie de l’humanité. Ces gens qui ont de la chance, et qui arrivent à sourire, à être heureux, à avoir des amis et à avoir le cœur net, ils ont de la chance. Parfois, il faut être conscient que ce ne sont pas que ceux qui gagnent au loto qui ont de la chance. Avoir des êtres qui nous sont chers près de nous c’est une grande chance, avoir de la nourriture dans notre assiette, c’est une grande chance, avoir un travail, des amis, des amours et pouvoir faire toutes les bonnes choses que nous désirons, c’est une grande chance. Beaucoup d’entre nous ont de la chance, mais une forme négative les possède et les démange, ils ont l’impression de ne rien faire de leur vie, et ils vivent en disant des bêtises, en disant du mal des gens, ils vivent leur vie par procuration. Beaucoup sont ceux qui laissent quelqu’un vivre à leur place toutes les difficultés qu’ils peuvent rencontrer dans leur existence. Ils n’arrivent pas à comprendre que les difficultés font partie de la vie et de l’humanité. Un problème apparaît pour que vous puissiez en trouver la solution. Si chaque fois il y a quelqu’un pour vous aider à trouver la solution, vous végétez, vous respirez mais sans fructifier. Chacun de nous doit éprouver des choses et donner vie à d’autres choses. Les êtres humains existent pour créer, pour donner vie, pour gérer des situations. Ils existent pour trouver des solutions. Vivre dans le passé, c’est dur, vivre sans espoir, c’est horrible, vivre sans amour c’est impossible. L’homme est une île, l’île est abordable, nous pouvons la cultiver, en plus la nourrir et l’aimer. Tous ceux qui ont dans le regard les marques du désespoir méritent une chance, un moment d’espoir, ils méritent la gaîté et l’amour. Quand le Pêcheur m’a serré la main et que son regard a croisé le mien, j’ai pu saisir que la vie n’était pas très facile pour ce monsieur. Il a voulu continuer à jouer de la capoeira, j’ai eu l’impression que je servais de défouloir au Pêcheur. Il en avait bien besoin, je sentais une énergie pas normale qui venait de son corps, il faisait la ginga, il continuait sans s’arrêter. Le Pêcheur sourit, le Capoeiriste lui tient les mains, le jeu prend fin. Mestre : – Super, c’était très bien ! Pêcheur : – O que voce disse ? (Quoi ? Demande le pêcheur assez étonné.) Mestre : – Ha é ! « Excuse-moi »... eu disse que foi muito bom nosso jogo. (J’ai dit que notre jeu était très bien.) Pêcheur : – Que lingua é essa ? (C’est quoi, cet idiome ?) Mestre : – C’est du Français, tu connais ? Pêcheur : – Não, é a lingua que fala na France né ? (Non, c’est l’idiome qu’on parle en France, c’est ça ?) Mestre : – Oui, c’est ça. Pêcheur : – Voce é da França ? (Tu es Français ?) Mestre : – Não mais eu moro lá. (Non. Mais j’habite là-bas.) Le Pêcheur reste un moment sans rien dire, il réfléchit un peu, regarde au loin. Mestre continue à parler, mais le Pêcheur ne l’écoute pas. Mestre : – Ho ! Tout va bien ? Ho, ooh ! Pêcheur : – Oui tout va bien, je réfléchis... il y a quelques années ma mère a vu une annonce dans un journal pour être domestique à l’ambassade d’Allemagne, elle a posé sa candidature et a été admise. Elle a travaillé ici, à Rio, pendant cinq mois et elle a été invitée à partir en France avec son patron M.Vouff Warraz. Ils sont partis et cela fait cinq ans que je n’ai plus de nouvelles ! Depuis cette époque, je la recherche, j’ai essayé la police, mais ça n’a rien donné, j’ai écrit au ministre mais il m’a répondu qu’il ne pouvait rien faire. J’ai essayé la télévision, des programmes de variétés, ils ont fait des recherches, mais cela n’a rien donné. J’ai consulté un avocat, il m’a dit qu’il faudrait faire des recherches en France, le pays où elle est partie. J’ai contacté l’ambassade du Brésil en France, mais cela n’a rien donné... Apparemment elle a disparu, c’est horrible de vivre sans savoir ce qui lui est arrivé. Depuis, je suis malheureux, je ne sais pas si elle est morte ou en vie. Je ne sais si elle est retenue quelque part contre sa volonté... C’est très dur. Excusez-moi de vous dire tout ça, cela fait quelque temps que je n‘ai plus parlé à personne. Parfois j’ai une grande honte de mes sentiments. Parfois je veux prendre ceux qui me l’ont enlevée et leur faire du mal, les torturer à mort. Parfois j’ai des sentiments que les gens disent être ceux d’un barbare, mais à mon avis ceux qui font ça sont des barbares, ils sont comme des animaux, et la société les protège. Mais les victimes, qui les protège ? Un enfant qui meurt, qui sait ce qu il aurait pu accomplir dans sa vie ? Combien de mal font ceux qui retirent la vie aux autres, qui tuent, qui font disparaître des personnes. Tous sans exception, devraient être jugés et sauf s’il s’avère que ce n’était vraiment pas de leur faute, ils devraient être torturés à mort. Il n’y a pas d’autre châtiment pour des animaux barbares, qui ne sont pas des malades comme les autorités veulent nous le faire croire. Exterminer tous ceux qui ne font que du mal devrait être une priorité. Mais le monde montre qu’il aime ces choses-là, aime voir qu’il y a toujours des gens plus malheureux que soi, qu’il y a ceux qui souffrent plus qu’eux-mêmes, qu’il y a des gens qui sont en détresse, qui ont besoin d’aide, qui ont faim et qui meurent de faim. Si la justice sociale existait, personne sur la planète ne devait aujourd’hui mourir de faim, de maladie ou de la main d’un autre être humain. Comme ça ne se passe pas ainsi, nous pouvons conclure qu’une petite majorité, qui détient les richesses et le pouvoir dans le monde se compose de barbares. Voir la misère des gens sur la planète est honteux, voir que ce qui est fait et les mesures qui sont prises ne servent à rien, ne résolvent pas les problèmes. En général ceux qui se mettent à la tête des gouvernements devraient savoir administrer, mais ce que je vois est triste. Beaucoup ne pensent qu’à eux-mêmes et à leur petite famille. L’humanité ne voit pas sa propre misère, parce qu’aujourd’hui il y a ceux qui gagnent et ceux qui perdent. Le partage n’est pas possible parce qu’une petite majorité est constituée de misérables. La misère de l’âme est horrible, mais nous pouvons sûrement dire que beaucoup n’ont pas d’âme Alors si pour être un gagnant, je dois perdre mon âme, je dois vous dire que je garderais mon âme et je serais un perdant. Ceux qui directement ou indirectement soutiennent ceux qui tuent, et qui leur donnent la légitimité de leurs actes, en les laissant libres et à courir sans se faire de souci, sont coupables aussi. Tous les maux doivent être combattus, toutes les maladies doivent être soignées, et si la mort est la solution, la mort doit être le médicament. Assez de voir des barbares prendre la place des victimes ! Assez de voir des barbares être traités comme des gens normaux, assez de voir une société médiocre faire l’amalgame entre le bien et le mal. Assez, assez, assez, je vous dis assez ! Les questions restent sans réponse, qui pourra m’aider ?Depuis qu’elle est partie, je n’arrive pas à dormir correctement, je pense tout le temps à elle, et parfois je sens son parfum à la maison, je rêve qu’elle me demande de l’aide, parfois je la vois, mais je ne peux pas la toucher, dans mon dernier rêve, elle était dans une grande maison, très, très grande, avec des arbres, des chiens, et un grand jardin... Mestre : – Tu as vu tout ça dans ton rêve ? Pêcheur : – Oui, j’ai vu tout ce que je viens de vous dire Mestre : – La France est très grande, tu n’as pas un monument, un truc quelconque, qui puisse nous aider à trouver la ville ? Pêcheur : – A cette époque nous avions beaucoup de problèmes financiers. Le monsieur est arrivé et il a proposé un bon salaire pour qu’elle le suive en France. Lui, il était très blanc, grand et très snob. Moi je ne voulais pas qu’elle parte, mais elle voulait gagner un peu plus d’argent pour aider à arranger la maison. Elle m’a convaincu, et voilà... ça fait cinq ans que je n’ai plus de nouvelles. Je pense à elle tout le temps. Je suis presque sûr qu’elle est à Paris. Mestre : – Pour quoi veux-tu qu’elle soit à Paris ? Pêcheur : – Dans tous mes rêves je vois une grande tour en fer. Mestre : – Ecris-moi son nom complet ici, le tien aussi avec un téléphone, si tu l’as. Pour que je puisse communiquer avec toi en cas de besoin. J’ai des amis dans la Police française et je vais leur demander de faire une recherche, je ne te garantis rien, mais je vais essayer de te donner un coup de main. En espérant qu’ils soient d’accord. Quel est ton nom ? Pêcheur : – Jorge Luiz da Silva. Mestre : – Le mien est Custódio, mais tu peux m’appeler Mestre.Pêcheur : – Tu peux m’appeler le Pêcheur. Je préfère. Mestre : – Pas de problème. UNE DEESSE La nuit était tellement belle et le jour qu’arrivait avait l’air d’être si splendide que je ne voulais pas rentrer. Je me sentais réalisé. Une satisfaction énorme restait dans le plus profond de mon être. Dans la vie sont peu les moments qu’on peut dire ou sentir que c’est un jour spécial. Je ne sais pas pourquoi, mais je me souviens du jour de mon anniversaire. Quand bien de fois je m’avais souhaité à moi-même « bon anniversaire, Mestre ». Je n’avais jamais réfléchi à ça. Je suis toujours en train de travailler beaucoup, d’essayer de faire ça ou ça. Une tristesse énorme m’envahit, je commence à me souvenir de mes anniversaires que ma mère organisait pour moi. Les habits nouveaux, les copains et les copines. Le gâteau, la boisson et la musique. La musique, c’est ce qui me manque le plus. Les danses que nous avons dansées. Comme un passage d’un nuage qui croise le ciel, je suis devenu triste. Je commence à penser comme c’est triste, maintenant. Je n’avais pas beaucoup d’amis. Parfois, ils ne se souvenaient pas de mon anniversaire et le jour passait sans plus. En vérité, je n’ai jamais donné d’attention à cette occasion. Le jour de mon anniversaire c’est un jour comme un autre quelconque. Aujourd’hui, précisément aujourd’hui, que j’avais une joie de vivre, de faire partie de ces êtres humains qui font de l’humanité quelque chose de bon, je suis devenu triste... Cette humanité qu’essaie sans succès d’améliorer le monde et que pour ça ne compte que sur nous-mêmes, sur une chose que tout le monde porte en lui : la passion. Aujourd’hui, je me souviens des jours d’anniversaire. Comme ça se passe. Je commence à pleurer. Je reste assis dans ce banc et je me laisse porter par mes émotions. Je me rappelle un jour où devant mon miroir j’avais dit : « Bon anniversaire, Mestre ! ». Est-ce que vous avez déjà passé par là ? Je veux savoir si vous, aussi, vous avez souhaité bon anniversaire à vous-même. Combien de fois ? Vous souvenez-vous du jour et de l’heure exacte ? Quel temps il faisait et quels habits vous portiez ? Oui, c’est dur de se rappeler. Des amis qui non pas pu venir. Des cadeaux qui n’ont pas été donnés. Des copains ou copines qui ne se sont pas souvenus de notre jour. J’avais une de ces têtes ! Je pensais surtout au jour de mes sept ans. Ma mère m’avait habillé en marin, je portais des chaussures noires vernies, j’étais très content. Alors, quelques copains ont essayé de me salir. La jalousie est une chose affreuse ! Ils ont essayé sans succès de me dégoûter. Heureusement, j’avais des bonnes jambes pour bien courir. Quelle époque formidable ! Dans la table de mon anniversaire, il y avait tellement de gâteaux, bonbons, goûters, boissons, ballons, chapeaux que l’unique chose que je regrette c’est que maintenant ce n’est plus comme avant. J’essaye des anniversaires positifs, quand je remarque une belle fille qui traverse la place et vient dans ma direction. Elle avait les mains au visage, comme si elle pleurait. J’ai tout de suite séché mes larmes. Oui, j’avais pleuré. Le souvenir des jours de changement d’âge a un étrange pouvoir. Revenir au passé est parfois fatal. La belle fille était assise à côté de moi et était triste. Je la regarde trois ou quatre fois. L’émotion de la drague est contagieuse Après toutes ces choses que je venais de vivre, une petite drague en fin de soirée c’était devenu essentiel. Je regarde le ciel. Je te cherche entre les étoiles Il y avait une qui brillait plus que les autres C’est toi, je me suis rendu compte Tu m’as éclairé la nuit C’est l’amour ou une passion dévorante C’est l’animal ou le stigmate d’être Je sens l’envie de t’embrasser De rester collé De m’empreigner de tes cheveux Prendre la respiration Et mourir dans tes bras Ton sexe m’a consumé Même avant que je puisse le goûter Je sens la belle Mes jambes commencent à trembler Ce bisou devenait plus chaud Je vais être empoisonné Le feu de l’amour Inexpliqué au quai de Seine Devant les ponts, ils ont vécu Mourir pour aimer Digne soit cela Puisque la mort n’existe Que quand on aime Alors si on n’aime pas On est déjà mort. La jeune femme me regarde et fait un petit sourire. Je m’approche en lui demandant du feu. La conversation s’installe. Elle venait de perdre quelqu’un de sa famille, mais elle ne voulait pas parler de ce sujet. Sans rien demander ou dire, nous avons commencé à marcher. On a passé devant la Pyramide du Louvre et encore une fois je constate que même avec tout son contraste, la pyramide est magnifique. Elle, la belle comme je l’appelle, commence à me raconter que la chambre du roi était là-bas (elle me montre une fenêtre entre plusieurs dans cet énorme palais). La fenêtre en question était après un restaurent, après les pyramides et forme un angle d’où le roi regardait tout le jardin des Tuileries. Dans les jardins, elle a continué, il y a un petit arc du triomphe : - Tu vois ? Après, il a fait construire le grand et célèbre Arc du Triomphe, sur la Place Charles de Gaulle que symbolise la victoire. Plus tard on a construit l’Arc de Triomphe de Nanterre. De la fenêtre du roi, on voit dans le même angle les trois Arcs du Triomphe. On a continue à marcher encore et encore, quand elle m’a invité à boire un verre. J’ai dit oui, sans trop y réfléchir. Mais tout de suite je me demande où. Tout était fermé, le jour venait à peine de se lever... La belle m’a dit : - Viens, on rentre ici... Je regarde le nom du lieu, et il était écrit « Maxim’s » ! J’étais impressionné ! Au Brésil aussi, il y a un Maxim’s, et j’ai toujours pensé que c’était un restaurant, ou un bar, peut-être un club pour la bourgeoisie. Et voilà que je viens de traverser sa porte. Le lieu était extraordinaire. Quelques personnes buvaient des drinks, quelques belles filles qui prouvaient comment le bon dieu avait bien travaillé ! De l’autre côté, il y avait quelques fauteuils, quelques tables, c’était un coin plus tranquille. Elle se dirige vers une petite table, au coin à droite, je m’assois et je remarque que les personnes que rentrent ou sortent ne peuvent pas nous voir... en quelque sorte, nous étions cachés. Je m’en fous grave. La femme devant moi était magnifique, ces longs cheveux noirs qui se glissent sur ses épaules brillent parfois, quand la lumière les touche. Ses yeux étaient un peu tirés vers le coté comme les asiatiques, j’ai tout de suite pensé qu’elle devait avoir une descendance de ce côté-là. Il faisait quelques minutes qu’on se regardait sans rien dire, elle me regardait dans les yeux, comme si elle pouvait voir mon âme. Sa bouche était vraiment belle, une bouche un peu grande, ses lèvres étaient appétissantes, sûrement un mélange avec des africains, elle doit avoir une descendance aussi de ce côté-la. Sa bouche m’invite à l’embrasser, je ne savais pas où trouver ce courage qu’il faut avoir pour faire le premier pas. Le garçon est venu prendre la commande, et je profite pour regarder nos voisins dans cette nuit calme et agité à la fois. Quelque vieux messieurs discutent avec des belles jeunes filles. Tout le monde reste concentré dans sa table, personne ne porte de l’intérêt pour les autres qui étaient là. C’est une drôle d’atmosphère. Là-dedans la nuit continue. Après le troisième bourbon, moi, je rigole pour tout et pour rien. On raconte de conneries qui nous font marrer. Qu’est-ce que ça me faisait du bien de rigoler ! Quand elle m’embrasse c’est le ciel qui a trouvé la mer : ses lèvres glaciales ont touché ma bouche, une chaleur de quarante degrés a commencé à me brûler l’intérieur. Je reste collé à elle, les yeux fermés, sans même la toucher, nos lèvres parlent, sa langue qui se balade dans ma bouche essaie sans doute de me dire quelque chose. Je n’ai pas compté combien de temps nous sommes restés à s’embrasser... c’est bon, c’est magnifique, je voulais rester toute la nuit à sentir son parfum, sa chaleur, son regard mélancolique qui me faisait panser au romantique que j’ai été avant. Un verre est tombé par terre, et le bruit de verre cassé nous a réveillé de notre enchantement. Elle avait les yeux un peu rouges, elle rigolait sincèrement, sa bouche était encore plus appétissante. Nous sommes restés à se regarder comme deux enfants qui ne savent pas quoi faire. J’ai pris mon verre et d’un coup j’ai jeté dans ma bouche le reste de bourbon. Elle a fait de même et, d’un signe de la main, le garçon était déjà à nos côtés : – La même chose s’il vous plaît !
Mestre Iram Custodio CECICA CAPOEIRA
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